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 COMUNICAÇÃO SOCIAL

SISTEMA SALESIANO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
A visão de Dom Bosco

Dom Bosco tinha uma compreensão ampla da Comunicação Social. A carta que escreveu sobre a difusão de livros bons serve come uma carta magna para exprimir sua visão empreendedora, mas principalmente sua fé e o seu coração apostólico.
 
A Comunicação Social era para ele um campo prioritário de missão: “Esta difusão de livros bons é um dos fins principais de nossa Congregação. Peço-lhes e suplico, portanto, que não descuidem esta parte importantíssima de nossa missão” .

Dom Bosco considerava a Comunicação Social um meio importantíssimo para a missão: “Por isso, querendo vê-los crescer cada dia em zelo e em méritos diante de Deus, nos deixarei de sugerir-lhes de vez em quanto os vários meios que considero melhores para tornar mais frutuoso o ministério de vocês. Entre estes o que desejo recomendar-lhes vivamente, para a glória de Deus e a salvação das almas, é a difusão de livros bons. Não duvido de chamar Divino este meio, porque o próprio Deus o utilizou para a regeneração humana” .

Além da imprensa e da “difusão de livros bons”, Dom Bosco utilizava todos os instrumentos e linguagens de comunicação disponíveis em seu tempo para a educação: o teatro, as academias, a música…

Dom Bosco havia intuído também a força da informação para a animação de sua família espiritual e para a mobilização da sociedade na sua missão. A criação do “BOLETIM SALESIANO” respondia justamente a esta finalidade.

A sua visão se orientava para a educação e a evangelização da juventude e das classes populares. Pensou então na comunicação como um verdadeiro Sistema que envolvia a todos: “Nossas publicações tendem a formar um sistema ordenado, que abraça em vasta escala todas as classes que compõem a sociedade humana” .

Dom Bosco gostava desta palavra Sistema, e a utiliza particularmente para indicar o conjunto e a articulação entre os elementos que caracterizam o seu estilo de educação: o Sistema Preventivo. A esse respeito Dom Viganò dizia: “È evidente para todos que quando o CG21 fala do Sistema Preventivo não se refere simplesmente às clássicas páginas escritas por Dom Bosco em 1877 e incorporadas depois, até o CGS, nos Regulamentos; mas principalmente a «um conjunto orgânico de convicções, de atitudes, de meios, métodos e estruturas, que constituíram progressivamente um modo característico geral de ser e de agir, pessoal e comunitário de Dom Bosco, de cada Salesiano e da Família .

O Sistema Preventivo è a expressão mais rica da visão de Dom Bosco sobre a educação, mas também sobre a comunicação. “A prática do Sistema Preventivo, como inspiração e método para viver e trabalhar juntos, reforça as nossas relações com Deus, amadurece os nossos relacionamentos fraternos, e une em uma única experiência salesianos, jovens e leigos, num clima de família, de confiança e de diálogo” .

 A visão dinâmica da Congregação

A visão de Dom Bosco foi levada adiante em forma dinâmica pelos seus sucessores, como se pode demonstrar pelos escritos de todos os Reitores Mores, dos Capítulos Gerais, da documentação histórica da Congregação .

E’ certo que, frequentemente, foi necessário chamar a atenção para um maior compromisso neste aspecto carismático, para assumir uma atitude positiva e empreendedora, e superar posturas muito defensivas diante dos meios de comunicação. O que afirma P. Ricaldone è indicativo neste sentido: “Não podemos contentar-nos com esta parte puramente negativa; devemos deter o mal da má imprensa com a difusão de livros bons” .
 
Em sintonia com a evolução dos tempos, com o desenvolvimento das novas tecnologias e de sua incidência na sociedade e nas culturas, amadureceu, principalmente após o Capítulo Geral Especial (1971-2), uma visão ampla e rica do campo da Comunicação Social e dos seus múltiplos significados, e também de uma política orgânica e coordenada de desenvolvimento e de organização. De fato, o Capítulo havia citado o relatório de P. Ricceri que reconhecia que “não foi promovido um empenho sistemático, coordenado, e adequado à altura e à atualidade dos instrumentos de Comunicação Social” .

Os Capítulos e documentos ulteriores revelam a consolidação das convicções e da nova prática mais sistêmica dos salesianos no campo da Comunicação Social:
- A consciência da importância da Comunicação Social come “presença educativa de massa, produtora de cultura, escola alternativa” ;

- A prioridade deste campo para a educação e a evangelização ;
- A visão ampla da Comunicação Social como uma dimensão humana que tem como escopo primário a comunhão e o progresso da sociedade humana ;
- A “valorização de todas as formas e expressões de comunicação: comunicação interpessoal e de grupo, produção de mensagens, uso crítico e educativo dos meios de Comunicação Social” ;
- A valorização da Comunicação Social como novo espaço de agregação dos jovens ;
- A oficialização de serviços, de políticas de animação e de coordenação, de estruturas: o Conselheiro Geral para a Comunicação Social ; o Delegado Inspetorial ; o Objetivo do Inspetor e de seu Conselho ; os empenhos de cada salesiano ; os canais de informação e os centros de produção ; as tarefas das Conferências Inspetoriais ;
- A qualificação e a formação do pessoal .

 Um Sistema Salesiano de Comunicação social

Esta visão global demonstra que a Congregação construiu um verdadeiro Sistema de Comunicação Social.

O termo Sistema de Comunicação recebe um primeiro aceno com P. Antônio Martinelli na preparação do Congresso Mundial dos diretores do Boletim Salesiano (1998) . Define-o como um “projeto orgânico e unitário de comunicação”.

A expressão “Sistema” é utilizada por P. Vecchi (2000) para chamar a atenção para o aspecto difusivo da Comunicação Social que abrange toda a presença salesiana: “Nossas comunidades, as obras e atividades que criamos, assim como cada instituição, entram em um sistema mais amplo de comunicação, com o qual se confrontam e dentro do qual interagem. Parecem realidades físicas e mudas; no entanto emitem mensagens antes mesmo que nós tomemos a caneta ou o microfone para explicar-nos ou relatar nosso ponto de vista. É indispensável, portanto, estar atento não somente àquilo que acontece dentro da obra.. É preciso considerar a imagem que se transmite, o reflexo que nossa ação produz fora da obra. Fala o edifício material com a sua sobriedade e bom gosto; fala o tipo de jovem que predomina na obra; comunica o programa e o estilo educativo; fala o ambiente experimentado diretamente ou conhecido por outras formas. De acordo também com nossa comunicação, com o no contexto, aquilo que realizamos pode expandir-se ou ser condicionado negativamente” . E acrescenta: “É indispensável pensar a presença, a comunidade e a obra salesiana ‘em rede’, como um emissor intercomunicado” .

“Construir um sistema único e orgânico de comunicação” è um empenho “primário” indicado no “Livro do Delegado” , com insistência para a integração da Comunicação Social na dinâmica da organização inspetorial.    

Finalmente, o “Projeto de Animação e governo do Reitor-Mor e do seu Conselho para o sexênio 2002-2008” traça o objetivo geral de “Construir e dispor progressivamente de um sistema de Comunicação da Congregação Salesiana em caráter profissional e estável, mas flexível :

  • Para estimular a criação de um “ecossistema comunicativo que envolva a todos (salesianos SDB, FS, educadores, educandos) no espírito e na missão salesiana;
  • Para orientar e qualificar as relações de comunicação e de partilha no orgânico da Direção Geral e entre essa e as inspetorias;
  • Para estimular a comunhão carismática interna – com sentido de pertença primária à Congregação, para além da respectiva inspetoria – e com a Família Salesiana mediante uma informação diligente.
  • Para habilitar SDB e colaboradores leigos como operadores culturais à atitude positiva de acolhida e à familiaridade no uso dos instrumentos e das técnicas de Comunicação, com vistas ao desenvolvimento da missão educativo-pastoral.
  • Para dar uma resposta à necessidade de Comunicação e qualificação dos jovens neste campo;
  • Para desenvolver na Congregação o sentido da CS como campo de missão e como espaço de agregação dos jovens (CG25, 47), e para sustentara convicção de que a Comunicação de massa e o desenvolvimento da informática são veículos de modelos inovadores e de novas mentalidades (CG25, 3) e modelos culturais.
  • Para prestar serviços especializados de Comunicação e informação ligados à missão salesiana, que impelem a uma forte mobilização da sociedade.
  • Para apresentar mais eficazmente a Congregação à opinião pública.

O Sistema Salesiano de Comunicação Social da Congregação Salesiana quer responder à complexidade e ao dinamismo da Comunicação Social em suas múltiplas expressões e significados. Não basta numa visão de sistema a simples criação de um setor de comunicação. O sistema de comunicação coloca-se a serviço do projeto orgânico da instituição, com o objetivo de envolver a todos numa visão partilhada de valores e de missão.

O Sistema Salesiano de Comunicação Social è concebido como um projeto orgânico e unitário, com uma visão partilhada de valores e de missão nitidamente salesiana, com políticas e ações planificadas nas áreas da animação e formação, da informação e da produção, e com a gestão das estruturas organizativas e dos processos de comunicação e de articulação em rede com os vários setores dentro da Congregação e da Família Salesiana, e fora, com os organismos da Igreja, com o território e com a sociedade em sentido mais amplo.    

As funções de animação e formação do Sistema se orientam à potenciação e à formação das competências comunicativas das pessoas, e à gestão da Comunicação Social nos processos educativos e nas relações internas e externas da Congregação, com os critérios do Sistema Preventivo de Dom Bosco. A consciência do valor da Comunicação Social como geradora de cultura, leva-nos à escolha prioritária da formação do pessoal. A política do pessoal considera a necessidade de formar educadores-comunicadores culturais, e se preocupa também em qualificar profissionalmente pessoas, salesianos e leigos, no empenho pela Comunicação Social. No tocante aos educandos o projeto prevê o desenvolvimento das competências comunicativas interpessoais e de grupo, a partir de suas necessidades, a formação para a compreensão crítica da mídia, a comunicação e a expressão nas várias linguagens do teatro, da música, da dança, da imprensa, da arte, do cinema, da TV, de Internet, a competência para a utilização da linguagem, dos recursos e dos instrumentos de Comunicação Social. A Congregação desenvolve programas de formação, mas dispõe também de estruturas “ad hoc”, como os cursos específicos nas Instituições Universitárias Salesianas (IUS), nas Escolas Técnicas e nos Centros de Comunicação Social.

A função Informação do Sistema se orienta à produção de uma informação salesiana que favoreça a comunhão e o sentido de per tença, a educação e a evangelização dos jovens, a mentalização e a mobilização para a missão de Dom Bosco e para a formação de uma opinião salesiana sobre questões juvenis e educativas, e a apresentação de uma imagem adequada da Congregação. Para este fim foram desenvolvidos alguns canais operacionais constantes, entre os quais:

  • A Agência Internacional Salesiana de Informação (ANS), com uma rede de correspondentes e de inúmeros produtos informativos de extensão local das comunidades, inspetorial e mundial;

 

  • As salas de imprensa;
  • O Boletim Salesiano, uma revista cheia de vida após 127 anos de sua criação.

 

  • Os Noticiários Inspetoriais, os portais e os sites web que hoje estão presentes em todas as partes, consolidando a articulação em rede e agilizando a informação salesiana.

A função Produção do Sistema realiza a produção, a manutenção de programas, os recursos, os arquivos e as empresas de Comunicação Social, a serviço da missão educativo-pastoral dos jovens. Faz parte desta função a promoção da colaboração mútua e da articulação em rede entre as empresas. Este è um campo muito desenvolvido na Congregação que conta com mais de 300 empresas (entre livrarias, editoras, salas de teatro-cinema, tipografias, emissoras de radio e de TV, centros audiovisuais), e ainda centros de produção de programas para a mídia local.

Este subsídio recolhe os elementos fundamentais de um quadro de referência para a Comunicação Social, e as linhas e políticas para o funcionamento do SSCS, como aparecem nos documentos da Congregação após o CG20 (1971-2) e nas programações dos últimos anos. Como tal, é um instrumento de trabalho para quem tem empenhos particulares na política de promoção da CS em nível mundial, regional e local. Não pretende substituir o “Livro do Delegado”, que continua válido como “manual operativo” para os responsáveis e operadores de Comunicação Social.

O subsídio apresenta-se em três partes interdependentes. A primeira e a segunda parte definem a identidade e o funcionamento do SSCS, com as respectivas linhas políticas para todos os níveis de atuação. A terceira parte apresenta a proposta dei organização, as estruturas, os encargos e atribuições específicas de animação e coordenação.

O Reitor-Mor P. Pascual Chávez nos faz uma nova convocação: “Caros irmãos, devemos realizar uma ‘conversão pastoral’. Nestes últimos decênios trabalhos muito, mas agora a Igreja e a história nos pedem um impulso maior na compreensão do nosso tempo e uma visão mais sábia e corajosa do nosso apostolado. Dom Bosco nos ilumine e nos dê a coragem para ser competentes e críveis educadores, evangelizadores e comunicadores, à altura das exigências da missão hoje ”.


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