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28/06/2012

Comunicado dos Religiosos do Paraguai

(ANS – Assunção) – Nestes dias a Conferência dos Religiosos do Paraguai emanou um comunicado para manifestar a própria posição perante os últimos acontecimentos políticos e sociais. Reportamo-lo integralmente.

Assunção, 22 de junho de 2012

Dadas as graves consequências que tiveram e estão tendo os trágicos eventos da morte de camponeses e policiais, em Estancia Campos Morombí, com a sucessiva decisão de submeter a juízo político o Presidente da República e as relativas implicações para o presente e o futuro da vida social e política da nação, a Junta Diretiva da Conferência dos Religiosos do Paraguai (CONFERPAR), manifesta quanto segue:

Em nossa visão cristã o uso da violência e da criminalidade nunca será aceito como meio de fazer reivindicações nem para defender interesses. Deploramos a morte dos camponeses e dos policiais, e exigimos com vigor o esclarecimento desses fatos e, enquanto encorajamos todos a continuar a trabalhar pela paz como verdadeiros filhos de Deus, voltamos a insistir que a paz desejada por Deus não virá da ocultação dos problemas, mas como resultado de uma autêntica justiça social.

Na base desses acontecimentos vemos a cumplicidade dos Três Poderes do Estado, em abandonar uma reforma agrária integral, em não haver enfrentado o problema da distribuição da terra – até agora submetida ao latifúndio – na irregularidade, na posse ilícita, e na sistemática suspensão desses problemas por parte da justiça e do parlamento. Enquanto os Três Poderes do Estado não derem uma resposta séria e concertada a tal problema, continuarão a levar sobre os ombros a responsabilidade pela violência que nasce da busca de soluções sob pressão, com consequências imprevisíveis.

Chama-nos potentemente a atenção a rápida reação dos partidos políticos e dos seus representantes que aceitaram promover o julgamento político do Presidente nas duas câmaras do Congresso Nacional, que embora sendo um procedimento constitucional, se está a aplicar de forma tal que gera fundadas suspeitas de manipulação, comprometem gravemente o processo legitimamente instituído da eleição popular, como se esta fosse a solução para os nossos problemas e como se existisse uma responsabilidade unilateral para as graves questões que ameaçam a nossa sociedade.

Acompanhamos com preocupação a manipulação dos fatos, através de numerosa mídia, por parte de grupos que buscam uma vantagem política, a impunidade e a manutenção de um ‘status quo’ que favorece os interesses pessoais ou empresariais. Vemos os partidos políticos mais interessados em defender a própria quota de poder e a distribuição de cargos, que não em buscar uma resposta concreta aos nossos problemas. Consideramos uma falta de respeito à vida e à dignidade humana o fato de que se usem feitos de morte entre irmãos para criar um clima de instabilidade, para estigmatizar os camponeses e criminalizar as suas organizações, para exasperar a polícia e os militares, instaurando um clima de terror com que dissuadir e desmobilizar os cidadãos indignados.

Surpreende ver que os mesmos parlamentares, até a pouco tempo, desacreditados perante as reivindicações dos cidadãos por seus embaraçosos procedimentos, são agora aqueles que acusam e se erguem quais juízes inapeláveis, arvorando-se em defensores da Pátria. Faz pensar que com tudo isso, não por acaso, desapareçam do horizonte as perguntas que emergiram dentre os cidadãos relativamente às “listas sábanas”, o pedido de julgamento político aos membros da Corte, os pequenos passos dados para a atuação da taxa sobre o lucro pessoal.

Como parte da Igreja peregrina no Paraguai, em resposta ao nosso empenho para com Deus e o Seu povo, convidamos todos a participar com responsabilidade pessoal e institucional na construção de um Estado de direito baseado na justiça social, na inclusão de todos os compatriotas, no respeito à vontade popular, integrados no progresso democrático das nações vizinhas.

Sentimo-nos parte de uma Igreja empenhada pela paz que advém da justiça, que abraça com amor especial os mais pobres, e convidamos todos os setores da sociedade a dar o melhor de si na tarefa de construir um povo de irmãos, no trabalhar por uma equidade maior na distribuição dos bens, rumo a um futuro promissor.

A Junta Diretiva:
Ir. Venancia González FMA.
P. José Ramón Torre-Marín SS.CC.
P. Alberto Lua SJ.
Ir. María Elisa Ortiz HC.
P. Walter Jara SDB.
P. Federico Gayoso TOR.
P. Pedro Jubenville CSSp.

Tradução aos cuidados da redação

Fonte: www.infoans.org

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